Acreditar/Meditar/Orar
ANGÚSTIAS POR
CAUSA DO FIM

Tenho
ouvido e até lido com alguma frequência que há pessoas que vivem angustiadas por
causa de ouvirem o que se tem dito a respeito do fim dos tempos e daquilo que
virá com alguma brevidade.
Nessas aflições dirigem-se a sacerdotes, atordoam-nos com queixas e lágrimas,
esperando sempre ouvir da
boca deles que tudo o que actualmente se profetiza é mentira e embuste,
o que também se está a dizer, sem que seja feito exame prévio das profecias,
antes de ser emitida uma opinião. Esta situação está a espalhar-se por muitos
lados, em muitas paróquias.
Confesso que me preocupa mais esta atitude que qualquer coisa que tenha lido a
respeito de futuras catástrofes mundiais, porque a maior catástrofe das nossas
vidas é justamente não querermos assumir que precisamos de as modificar para que
a angústia e o medo desapareçam das nossas almas e nos façam viver na paz dos
filhos de Deus.
Antes de dizermos que é falso e deixarmos as pessoas embaladas no pecado em que
vivem, devemos simplesmente aconselhar que as vidas sejam reformadas e que as
pessoas angustiadas procurem viver de acordo com os Mandamentos da Lei de Deus,
mandamentos esses que a maioria dos cristãos actuais nem sequer sabe dizer na
totalidade.
Em primeiro lugar,
examinemos os motivos da angústia de tantas pessoas:
A sua angústia deve-se muitas vezes a medo pelo que lhes pode acontecer por
viverem fora da Lei de Deus.
Angustiam-se, mas não
querem deixar de praticar o aborto, sempre que se virem em situação
de dificuldade de gravidez indesejada.
Angustiam-se, mas não
querem deixar de odiar, de difamar e de desejar mal ao próximo que
talvez os tenha prejudicado de alguma forma.
Angustiam-se, mas não
querem deixar de viver na frivolidade, na vida de facilidades, de
telenovelas, de compras caras… na medida das suas possibilidades… e às vezes até
fora dessas possibilidades.
Angustiam-se, mas não
querem deixar de procurar curandeiros, espíritas, bruxos, cartomantes
e outros.
Angustiam-se, mas não rezam
mais por causa do seu medo. O medo não lhes traz mudança de vida. Por
isso o medo não é
coisa de Deus, mas do inimigo das nossas almas, que espalha o medo, a
angústia e a tristeza, para nos perturbar e nos afastar mais daquilo de que Deus
nos avisa.
Estas pessoas que se angustiam por causa das profecias não pensam que podem
morrer neste instante ou daqui a minutos… ou daqui a dias, sem chegarem a ver
nada daquilo de que têm medo, mas ainda assim a correrem o perigo de passarem
para a outra vida, despreocupadamente, caindo na justiça de Deus a qual não
temem mais, quando ouvem dizer que o que se profetiza é tudo falso?
Não nos compete fazer julgamentos, mas compete-nos e é o nosso dever premente
modificar as nossas vidas cada dia, procurando que o dia de hoje seja para nós
de maior pureza, maior generosidade e maior amor a Deus e ao próximo, que o dia
de ontem. Quem sabe se veremos o dia de amanhã?!
É preciso que pensemos todos nós que o
medo e a angústia não vêm
de Deus, são uma cilada daquele que nos quer desviar a atenção, para
que ouçamos conselhos que nos sosseguem e nos permitam continuar a viver na
facilidade e no pecado.
Mas há pessoas que se angustiam por causa de familiares que vêem longe dos
caminhos de Deus, caminhando em terrenos resvaladiços, tortuosos e lamacentos de
pecado e até de ateísmo ou heresia.
Então que fazer? A angústia não leva a lado nenhum, mesmo quando é referida aos
nossos familiares. Se recusarmos a angústia, caminharemos na paz a então faremos
algum bem aos nossos entes queridos. É na paz que poderemos desenvolver o
apostolado por eles e por outros que por todo o mundo Deus nos confia, mesmo que
não saibamos quem são. Um dia no Céu saberemos.
É na paz que conseguiremos rezar por eles e até sacrificar-nos um pouco, porque
já dizia Nossa Senhora em Fátima que “Vai muita gente para o inferno porque não
há quem se reze e se sacrifique por eles”.
Bem sei que nos dói que os nossos familiares trilhem um caminho que vemos
nitidamente mau, que não se preocupem com as suas almas. Então pensamos no que
será deles a curto prazo. Mas os nossos familiares também podem morrer em breve,
talvez hoje, quando não rezamos por eles, preocupados com os nossos medos e
angústias, quando perdemos tempo a discutir a veracidade das profecias deste ou
daquele profeta.
Quantos de nós não teremos tempo para ver nada disso… Quantos de nós morreremos
em breve, e estamos desperdiçando o tempo precioso que ainda nos resta por
misericórdia de Deus que diariamente nos faz a graça de nos dar mais um dia.
Lembramos-nos de Lhe agradecer ao acordar? O tempo que temos cada dia não é
direito nosso, é graça de Deus.
Que importa se morreremos no ano que vem ou daqui a um minuto? O que interessa é
não perder tempo e cuidar da alma! Lembremos-nos que daremos contas de todo o
tempo que desperdiçamos entre distracções, frivolidades, festarolas, pecados
vários…às vezes bem graves.
E depois afligimos-nos e
angustiamos-nos, quando alguém nos fala em profecias!
Quantos morrem rapidamente em acidentes diversos? Quantos que hoje estão de boa
saúde, amanhã lhes é manifestada uma doença grave daquelas terminadas em “ite”
em “ose”, ou de outros termos médicos, e que nos levam rapidamente deste mundo?
Enquanto aqui vivermos, estamos sempre em perigo, não nos iludamos com palavras
doces que nos dizem para nada temer, porque nada irá acontecer, mas procuremos a
paz de Deus, entregando-lhe cada dia uma vida que procuramos modificar para
melhor, deixando as facilidades, renunciando ao pecado, mesmo que isso nos traga
sofrimentos e novas responsabilidades, e procurando uma vida de oração cada vez
mais intensa.
Estamos neste mundo para nos santificarmos, não para nos divertirmos, não para
fugirmos das responsabilidades e dos sofrimentos, não para vivermos em
frivolidade, não para procurarmos saber o futuro, não para a preguiça, para as
raivas, para as difamações, sensualidade e outros pecados. Não estamos no mundo
para perder tempo!
Deixemos os medos e iniciemos vida nova. Isso sim, nos porá no bom caminho da
esperança e da confiança em Deus. Então teremos paz, mesmo que vejamos os nossos
familiares por maus caminhos. Rezemos por eles, mais intensamente, quanto maior
for a nossa preocupação a seu respeito. Façamos também por eles algum sacrifício
no segredo dos nossos corações, e podemos ter a certeza de que o nosso Deus não
é insensível à nossa dor e às nossas orações. Um dia, mais cedo ou mais tarde,
nem que seja à hora da morte tocará esses corações e eles hão-se salvar-se.
Lembremos-nos de que o
medo é mau e desterremos-lo para longe de nós.
Tenhamos confiança
em Deus e caminhemos para Ele na paz e na pureza de vida, cada dia
com mais amor.
É então que viveremos sem medos do que possa acontecer no futuro, seja o que
for, porque a nossa entrega a Deus nos dará uma confiança nEle cada vez maior.
Seja o que for que tenhamos de sofrer, nada será maior que o nosso pecado, o
pecado com que já atraiçoámos o nosso Pai.
Não esqueçamos de que Ele é Pai e nada nos dará a sofrer que seja maior do que
as forças que nos dará para esses momentos. Quando não pudermos mais, Ele nos
levará para a Sua felicidade eterna, onde não há mais dor, mas a alegria de ver
o Seu rosto.
Peço a Deus que com este meu pobre escrito possa transmitir a paz do Seu Amor e
a confiança e a mudança de vida em alguma alma angustiada. Entretanto é preciso
saber que, toda alma que está preparada para o que vier a acontecer, não se
angustia, nem teme coisa alguma.
Somente teme, ou se
angustia, quem não reza, nem confia em Deus.
Enfim, não escutem as vozes de cigarra que vos enganam dizendo que nada do que
estão falando vai acontecer.
Olhem o mundo, as
loucuras da economia, o caos que se instala por causa das dívidas de todas as
nações. Compare isso com aquilo que a Bíblia nos ensina, e verão que
é falso profeta exactamente
aquele que não
alerta as pessoas.
Até os mortos nos
túmulos já sabem que a crise actual é também a última. Afinal, quando vivos eles
sabiam das profecias, agora com Deus sabem que acontecerá.
(Anonimo)