Do desarmamento ao totalitarismo
"Por que e quando nos tiram as armas."
O que virá a seguir?
Posted: 12 Jun 2011 08:19 AM PDT

Wagner Moura acredita no desarmamento como a instituição do monopólio da força nas mãos do Estado, onde o cidadão deve ser guiado como uma ovelha pelo onipresente “grande irmão”.
Nos últimos dias, a notícia que o ator Wagner Moura, que
protagonizou o conhecido filme Tropa de Elite no personagem Capitão
Nascimento, iria emprestar sua voz para a campanha de desarmamento pululou
em vários jornais e nas redes sociais.
Não sei como foi feita essa negociação entre o governo e o ator, se foi
convidado, contratado ou se alistou. Acho até que ele não ganhará nada para
fazer tal propaganda, que vale lembrar, é propaganda requentada, aquela que
fala em bala perdida, como se fosse o cidadão honesto o responsável pelos
tiroteios entre policiais e criminosos.
Imaginando que nem todos são movidos apenas pelo vil metal e que ele não
cobrará por isso, ficaria claro então que Wagner Moura realmente acredita na
benesse de tal campanha. Acredita que haverá mais segurança se todos os
aposentados e viúvas entregarem suas armas, pois esse é o perfil
predominante daqueles que o fazem. Pouco provável que seja isso. Explico.
Relendo velhas entrevistas do Capitão Nascimento, ou melhor, do ator Wagner
Moura, é possível com bastante precisão montar um perfil de seu
posicionamento ideológico e, acreditem, isso não passa nem perto do
pacifismo. Numa entrevista para a Folha de São Paulo em 2007 há um pequeno
trecho mais do que revelador, que aqui reproduzo:
“E eu ainda acredito na esquerda, não na boba, utópica, mas em um Estado
intervencionista. Acho o liberalismo uma coisa perigosa. Deixar as coisas
andarem nas mãos da iniciativa privada é perigoso. O Estado tem que ter
poder.”
Está ai a explicação! Wagner Moura acredita no desarmamento como a
instituição do monopólio da força nas mãos do Estado, onde o cidadão deve
ser guiado como uma ovelha pelo onipresente “grande irmão”. Cumpre-nos
lembrar ao ator que o perigo maior sempre está exatamente em um Estado que
institui o monopólio da força. Isso não acabou nada bem em países como a
Alemanha nazista, a antiga URSS ou o carcomido regime de Fidel Castro.
E qual seria a estratégia do Ministério da Justiça ao convocar o Capitão
Nascimento? Simples e óbvio: mesmo contra a vontade do ator e dos produtores
do filme, o Capitão Nascimento virou um herói nacional, um ídolo para
muitos. “Ora, se até o Capitão Nascimento está falando que é melhor
entregar, então é melhor mesmo” imaginam eles. Um pensamento típico daqueles
que acreditam que estão lidando com uma nação de criancinhas sem capacidade
de raciocínio, de distinguir o que é real e o que é cinema! Será que não
aprenderam nada mesmo no referendo de 2005? Acreditem, nem com saco na
cabeça a sociedade brasileira vai abrir mão deste direito.
Publicado no jornal O
Estado.