©Luso-Americano, December 5, 2008       8

NA SEDE DA ADFA DE VISEU

Após visita de deputado, ex-combatente e deficiente das FA pôs ontem fim à greve de fome

O ex-combatente de Moçambique e deficiente das Forças Armadas portuguesas João Gonçalves interrompeu ontem a greve de fome que mantinha desde sexta-feira em Viseu em apoio da restituição dos direitos consagrados no decreto-lei 43/76 de 20 de Janeiro desse ano e que o actual governo tem vindo a reduzir.

O fim da greve de fome ocorreu ontem por volta do meio dia e ao fim de um encontro de cerca de uma hora que manteve com o deputado social-democrata Almeida Henriques, eleito pelo Distrito de Viseu.

O deputado prometeu a João Gonçalves levar novamente ao parlamento a questão dos direitos dos ex-combatentes deficientes e sensibilizar para o assunto o ministro da Defesa Nacional Severiano Teixeira.

Entretanto, possivelmente quarta-feira, João Gonçalves e uma delegação da Associação Nacional de Deficientes das Forças Armadas (ADFA) vão encontrar-se com o grupo parlamentar do PSD em Lisboa.

"O deputado Dr. Almeida Henriques disse-me que iria tratar dos nossos problemas e que só sairia daqui quando eu decidisse ir tomar uma sopa" – disse ontem João Gonçalves ao Luso-Americano anunciando o fim da greve de fome.

Iniciando sexta-feira a greve de fome com a ingestão exclusiva de água, o ex-primeiro cabo da CC 2730 gravemente ferido em Maio de 1971 na área de Mueda, Moçambique, ingeriu quarta-feira um pão, tentando prolongar por mais tempo a sua resistência.

Vigiado desde sexta-feira por um enfermeiro amigo, João Gonçalves perdeu 5,5 kg nos seis dias e meio de greve de fome.

"Recebi muitas provas de solidariedade de ex-combatentes e recebi visitas de deputados de todos os partidos, menos do Partido Socialista" - disse ontem ao Luso-Americano João Gonçalves assinalando que a sua luta não é por ele, mas pelos ex-combatentes deficientes das Forças Armadas que vivem na pobreza e a quem o governo socialista tem vindo a reduzir os benefícios fiscais, a actualização das pensões, os locais onde podem receber serviços médicos e hospitalares e a comparticipação nos medicamentos.